segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Diário de uma repórter inexperiente I

Quando se escreve, o capítulo de nossa vida não se apaga.

Não adianta querer esconder da chuva, repórter que está na luta, tem que ser molhar.
O editor disse:
- Há caramujos infestando alguns terrenos abandonados. Vai nesses lugares e entrevista os vizinhos do local!
Do lado de fora da redação, houve um estrondo. Trovão! Um pensamento:
- Caramba! Estava sol até agora.
Bem no sentido coloquial, caía de balde.
O fotógrafo correu no carro, destravou-o para evitar que eu tomasse muita chuva.
Entrei no carro com o vestido de viscolycra respigado por gotas de chuva. Em segundos, minha piadinha infame:
- Meu óculos não tem para-brisa!
Resolvemos bater na casa dos vizinhos dos lotes. A chuva caía, mas já era bem menos.
- Bom... É melhor esperar um pouco, por precaução.
Acatei a ideia, mesmo sabendo que havia um guarda-chuva em minha bolsa. Bem... Um guarda-chuva pela metade. Estava quebrado!
Ora, ora, um repórter não pode andar sem um bloco de anotações (que vive rasurado... Só o dono entende!), uma caneta (que decide falhar nos melhores momentos), uma máquina fotográfica (com a bateria bem carregada, por favor), um gravador, celular, garrafa de água e um guarda-chuva EM ORDEM!
Eu e o fotográfo ficamos no carro, jogando conversa fora, até os pingos diminuírem. Foi aí que decidi descer com meu "super" guarda-chuva e bater palma na casa a minha frente.
Já ouviram falar em Lei de Murphy? Diga-me um repórter que nunca viveu a Lei de Murphy.
A chuva deixou de ser chuva para se tornar um toró. Bati na casa, tentando equilibrar o guarda-chuva  no pescoço. Quando virei as costas, desistindo de ficar sob nuvens carregadas e não de esperar a porta da casa se abrir, escuto uma uma voz entremeada a tempestade:
- Pois não?
- Oi, eu sou do Jornal e vim fazer uma matéria a respeito dos caramujos.
- Oi bem, não estou ouvindo.
Lá vai minha garganta berrar.
- Quer entrar?
Só faltou eu gritar: Pleaseeeeeeeee!
Aquela senhora descarregou todos os caramujos que estavam em sua garganta. Digo, as reclamações a respeitos dos caramujos nojentos (como ela mesmo os chamou).
E o fotógrafo, fez a parte dele.
Saímos novamente na rua. A chuva já estava parando, mas insistia em não respeitar meu guarda-chuva e autografar minha caderneta.
O fotógrafo continuou a fazer o trabalho dele.
Finalmente voltamos à redação. As fotos foram jogadas no computador e mostrada ao editor que logo exclama:
- Mas quem é essa velhinha que saiu no fundo da foto? Ainda bem que ela ficou bem no fundo, pequena e desfocada.
- Não é uma velhinha! É a Larissa...
Oooooooppppssss!!!!

 

2 comentários:

  1. kkkkkkkk, essa " velhinha " é pra acabar viu, tinha que ser a Larissa msmo viu.
    Mana, meus parabéms pela matéria, e quer saber, adorei a narração da matéria, é como se estivesse la no meio da chuva, parece até sentir os pingos de chuva e imaginar aquele toró e o monte de caramujos nadando na rua, " ECAAAA ", kkkkkkkk. quer saber esse é seu don, então cultive-o e usufrua dele o máximo que puder, e sei que vc pode e vai muito longe com tanto talento.
    Bjus e abraços de seu maninho, Mayer Trindade.

    ResponderExcluir
  2. Velhinha? ai nãão né!
    quase 19 anos, por favor!
    ahsuiahsuiahsuihauisas
    eu ri litros, prima!
    você está escrevendo cada dia melhor!

    ResponderExcluir