sábado, 17 de outubro de 2009

'“Ocupe esse espaço. Apresente sua arte”

Um palco em formato de semicírculo e contornado por plantas, de piso marrom claro e minúsculos azulejos verdes, está à espera de vidas em meio a Universidade Metodista de Piracicaba. Fixado em um espaço aberto sob os efeitos da ação da natureza, encontra-se vazio e silencioso em uma tarde ensolarada de sábado, a não ser pelo suave balançar das folhas de árvores que contornam sua arquibancada de nove fileiras de banco de concreto, sem encosto, no terreno em declive.
Na parede de tijolo à vista, uma faixa branca com dizeres em colorido implora cultura: “Ocupe esse espaço. Apresente sua arte”. Mas as duas escadas de dois degraus na lateral do palco não estão recebendo artistas ou novos talentos. Quem aparece no lugar é uma pomba cinzenta; apóia-se na estrutura de iluminação acima do palco, retorce o pescoço e parece observar os arredores. Um pouco antes de levantar voo e deixar uma pena escapar-lhe, surge um pardal saltitando na arquibancada. E os estudantes? Não aparecem, mas deixam péssimos rastros: uma bola de papel amassado sobre os bancos.

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