LARISSA MOLINA
Nesta era tecnológica a
sociedade do século XXI vive a contradição. Nela, o diferencial não é o novo,
mas o inovador. Acredita-se que se pode criar, entretanto, na verdade, são coibidos
a copiar. Se não agirem como os modelos que os são impostos, estarão sozinhos.
No passado, estar só
era sinônimo de reflexão, um momento para aguçar a criatividade, no entanto, hoje,
estar sozinho é castigo. É não fazer parte do “bando” e encontrar-se com o mal
do século: a solidão. Mas, como já mencionado, nesta era contraditória, o que
mais se vê são pessoas solitárias, presas em jogos de vídeo game, em mídias
sociais, na tela de uma televisão, em Ipad´s, Mp4 e outros objetos que, sem se darem
conta, os deixam cada vez mais solitários.
Fonte: Billy Alexander/sxc.hu
A
geração que cresce se desenvolve entre os muros, alienada. Veem o que a mídia
permite ver, sabem o que a mídia permite saber... É o sinal de que o poder
cresce na mão de poucos. Diferente de séculos passados, a arma poderosa não
emite fogo. Ela é branda e surge como aliada da felicidade. É a mídia esta arma
que molda a massa.
Esta geração que se
desenvolve é herança de movimentos que se iniciaram já no passado. Automóveis,
maquinários, enfim, a Revolução Industrial acelerou o tempo, encurtou a
distância e trouxe o homem-máquina. Ele entende o virtual e questiona o real.
Busca mudanças, quer transformações, ou melhor, atualizações. Não são movimentados
por gigabytes, mas vivem em velocidade frenética. Findou-se a paciência e a
persistência. Espera-se que, como em filmes de ficção científica, habilidades
sejam adquiridas através do download. Nesta nova era não se admite desafios. A
geração anseia por conquistas rápidas, como em um clique. Esperar, neste século
em que o tempo voa, é castigo.
Mas todas estas coisas
não surpreenderiam o teórico Marshall Mc
Luhan que viveu no século XX e previu grandes transformações com o advento
tecnológico. Errou ao acreditar que tantas alterações sociais trariam apenas o
bem. Mas ainda convém lutar, e a primeira batalha será despertar a essência da
comunicação – aquela que busca informar para transformar e não degenerar como
muitos programas televisivos costumam fazer ao tornar público o que se deveria
guardar no privado. E como tudo é cíclico, talvez seja o momento de ouvir o
passado para reescrever o presente. É possível acreditar que ainda há tempo
para correr contra a catástrofe. Caso contrário, lamento... Continuaremos todos
a sermos operários de uma gigante indústria cultural.
