quinta-feira, 21 de junho de 2012

Somos operários de uma gigante indústria cultural


LARISSA MOLINA

Nesta era tecnológica a sociedade do século XXI vive a contradição. Nela, o diferencial não é o novo, mas o inovador. Acredita-se que se pode criar, entretanto, na verdade, são coibidos a copiar. Se não agirem como os modelos que os são impostos, estarão sozinhos.
No passado, estar só era sinônimo de reflexão, um momento para aguçar a criatividade, no entanto, hoje, estar sozinho é castigo. É não fazer parte do “bando” e encontrar-se com o mal do século: a solidão. Mas, como já mencionado, nesta era contraditória, o que mais se vê são pessoas solitárias, presas em jogos de vídeo game, em mídias sociais, na tela de uma televisão, em Ipad´s, Mp4 e outros objetos que, sem se darem conta, os deixam cada vez mais solitários.

Fonte: Billy Alexander/sxc.hu

            A geração que cresce se desenvolve entre os muros, alienada. Veem o que a mídia permite ver, sabem o que a mídia permite saber... É o sinal de que o poder cresce na mão de poucos. Diferente de séculos passados, a arma poderosa não emite fogo. Ela é branda e surge como aliada da felicidade. É a mídia esta arma que molda a massa.
Esta geração que se desenvolve é herança de movimentos que se iniciaram já no passado. Automóveis, maquinários, enfim, a Revolução Industrial acelerou o tempo, encurtou a distância e trouxe o homem-máquina. Ele entende o virtual e questiona o real. Busca mudanças, quer transformações, ou melhor, atualizações. Não são movimentados por gigabytes, mas vivem em velocidade frenética. Findou-se a paciência e a persistência. Espera-se que, como em filmes de ficção científica, habilidades sejam adquiridas através do download. Nesta nova era não se admite desafios. A geração anseia por conquistas rápidas, como em um clique. Esperar, neste século em que o tempo voa, é castigo.  
Mas todas estas coisas não surpreenderiam o teórico Marshall Mc Luhan que viveu no século XX e previu grandes transformações com o advento tecnológico. Errou ao acreditar que tantas alterações sociais trariam apenas o bem. Mas ainda convém lutar, e a primeira batalha será despertar a essência da comunicação – aquela que busca informar para transformar e não degenerar como muitos programas televisivos costumam fazer ao tornar público o que se deveria guardar no privado. E como tudo é cíclico, talvez seja o momento de ouvir o passado para reescrever o presente. É possível acreditar que ainda há tempo para correr contra a catástrofe. Caso contrário, lamento... Continuaremos todos a sermos operários de uma gigante indústria cultural.